Carta aberta · Eleições Legislativas 2024

As crianças não podem esperar mais!

Propostas legislativas da APIPDF apresentadas aos partidos políticos e aos candidatos a deputados à XVI Legislatura da Assembleia da República.

Fevereiro de 2024 XVI Legislatura 8 propostas legislativas

Quando a Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direito dos Filhos (APIPDF) lançou a sua iniciativa “Uma legislatura para as crianças!”, apresentada a todos os partidos políticos antes das eleições legislativas de 2022, não esperava que a maioria absoluta do Partido Socialista na Assembleia da República não fosse aproveitada para avançar com uma agenda reformadora e dinâmica que desse resposta aos problemas graves que as crianças de pais e mães separados ou divorciados enfrentam todos os dias.

De facto, foram dois anos sem que qualquer iniciativa legislativa fosse tomada, mas pior, sem que qualquer atenção fosse dada, nem que fosse através da promoção de um debate público, com vista a garantir os direitos das crianças cujos pais e mães estão separados ou divorciados, bem como uma reforma urgente do modelo dos juízos de família e menores.

Após a reforma na área do Direito de Família e Menores, com a implementação do Regime Geral do Processo Tutelar Cível, seria expectável que se fizesse um balanço da respetiva reforma e que se tivessem em conta os seus avanços, recuos e, principalmente, a incapacidade de resolver os conflitos parentais. Na verdade, as crianças não podem esperar mais.

A APIPDF voltou, assim, a apresentar sugestões de propostas legislativas aos partidos políticos e aos candidatos à XVI Legislatura, defendendo uma mudança de paradigma que apostasse na prevenção, mitigação e diminuição dos conflitos parentais e na criação de respostas para as situações de maior complexidade.

Propostas legislativas

Oito medidas apresentadas pela APIPDF em 2024

Para tornar o documento mais fácil de consultar, as propostas são apresentadas abaixo com um título identificativo. Em cada cartão pode abrir-se o respetivo conteúdo. O PDF integral, que contém o desenvolvimento técnico das propostas, encontra-se no final da página.

1
Prevenção dos conflitos parentais

Introdução da pré-mediação familiar

Aplicação de um projeto-piloto de pré-mediação familiar e criação de enquadramento legislativo para esta prática preventiva dos conflitos parentais.

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Tendo em conta os custos coletivos e individuais que os conflitos parentais têm tido ao longo das últimas décadas em Portugal, é urgente a mudança de paradigma de intervenção, combatendo não só os efeitos económico-financeiros, como a pobreza infantil e familiar, mas igualmente os psicoemocionais.

O papel da mediação contextualizada na família apresenta-se com um elevado potencial transformador do conflito parental, visando sobretudo a coesão pais-filhos, promovendo os cuidados igualitários às crianças e constituindo-se como uma das formas de prevenção dos conflitos familiares.

Nesse sentido, o Instituto Português de Mediação Familiar (IPMF) e a APIPDF juntaram esforços, em 2022, na elaboração de uma sugestão de alteração legislativa para a introdução da figura de pré-mediação. Em 2024, propunha-se que o projeto-piloto fosse aplicado pela Direção-Geral de Política de Justiça, contribuindo para a criação de legislação que enquadrasse esta prática.

2
Promoção e proteção

Supervisão técnica nas CPCJ

Reforço da intervenção multidisciplinar nas comissões restritas das CPCJ, através da criação da figura de supervisão técnica para situações de maior complexidade.

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Tendo em conta a crescente complexidade das situações de risco, bem como a falta de formação específica dos técnicos que integram as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens e o impacto das decisões de promoção e proteção na criança e na sua família, considerava-se fundamental uma intervenção multidisciplinar, em sede de comissão restrita, supervisionada pela figura de supervisão técnica, cuja criação se sugeria.

3
Violência familiar

Uso da criança em conflitos parentais de alta intensidade

Alteração legislativa destinada a enquadrar a alienação parental ou o uso da criança num triângulo de conflito parental de alta intensidade no âmbito da violência doméstica.

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Em linha com a Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica, a APIPDF entendia que as medidas legislativas então existentes não respondiam a um tipo específico de violência contra as crianças no seio familiar.

Sugeriu-se uma alteração legislativa visando o reconhecimento da “alienação parental” ou do uso da criança num triângulo de conflito parental de alta intensidade como um comportamento enquadrável no crime de violência doméstica, com vista à erradicação de todas as formas de violência familiar.

4
Igualdade parental

Residência alternada como regime preferencial

Reapresentação de propostas de alteração legislativa destinadas a estabelecer a residência alternada como regime preferencial após a separação ou divórcio.

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A APIPDF reafirmava a necessidade de novas propostas de alteração legislativa que visassem a Residência Alternada como regime preferencial, relacionando-a com a partilha dos tempos de convívio e com o envolvimento continuado nos cuidados, na educação e na vida quotidiana dos filhos e filhas.

5
Família alargada

Reforçar o direito ao convívio com a família da criança

Alteração do artigo 1887.º-A do Código Civil para promover os convívios com a família alargada da criança.

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Perante situações em que o conflito parental resulta no afastamento injustificado de parte da família da criança juntamente com um dos seus progenitores, a APIPDF defendia que o legislador deveria garantir os convívios não apenas com os progenitores, mas igualmente com a restante família alargada da criança.

Para esse efeito, propunha-se uma alteração ao artigo 1887.º-A do Código Civil.

6
Justiça de família

Alargar a base territorial de recrutamento dos juízes sociais

Recrutamento dos juízes sociais pela área de competência dos juízos de família e menores, em vez do município da sede da comarca.

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A APIPDF identificava uma limitação legislativa quanto aos juízes sociais, cujas candidaturas estavam circunscritas à cidade da sede do tribunal de comarca competente.

Propunha-se, por isso, um recrutamento de juízes sociais pela área de competência dos juízos de família e menores.

7
Pensão de alimentos e fiscalidade

Eliminar a tributação da pensão de alimentos devida a menores

Compromisso para eliminar no Orçamento do Estado a tributação incidente sobre pensões de alimentos devidas a crianças.

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A APIPDF pretendia um compromisso dos partidos para que no Orçamento do Estado para 2025 fosse eliminada a tributação da pensão de alimentos devida a menores, por considerar que o valor acordado ou sentenciado tem por base as necessidades da criança.

8
Linguagem e organização judiciária

“Juízos de Família e Crianças”

Alteração da designação “Juízos de Família e Menores” para “Juízos de Família e Crianças”, refletindo a criança como sujeito de direitos.

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Partindo da evolução da conceção da infância e da afirmação da criança como sujeito de direitos, a APIPDF entendia que essa mudança não se encontrava suficientemente refletida na terminologia utilizada.

A Associação sugeria, por isso, a alteração da designação dos Juízos de Família e Menores para Juízos de Família e Crianças.

Carta aberta

Um apelo ao compromisso político

A APIPDF manifestava a expectativa de que as eleições legislativas e a nova composição político-partidária da Assembleia da República permitissem reunir condições para que os partidos assumissem um compromisso com a proteção das crianças e das suas famílias, em particular das crianças com pais e mães separados ou divorciados.

O objetivo afirmado era criar ou reformular políticas tendo a infância e a juventude no centro da decisão.

Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direito dos Filhos
Lisboa, fevereiro de 2024
Documento integral

Consultar as propostas desenvolvidas

O documento completo contém a carta aberta e o desenvolvimento das propostas legislativas apresentadas pela APIPDF, incluindo as respetivas fundamentações e propostas de alteração.

PDF
Carta Aberta aos Partidos — “As crianças não podem esperar mais!”
APIPDF · fevereiro de 2024 · documento completo · 33 páginas
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