Política fiscal · Proposta APIPDF

Pensões de alimentos e IRS: recomendações da APIPDF para o Orçamento do Estado de 2015

Proposta apresentada pela APIPDF para aproximar o tratamento fiscal das famílias separadas da realidade das responsabilidades parentais, das despesas efetivamente suportadas com os filhos e dos regimes de residência após a separação.

APIPDF Orçamento do Estado para 2015 Documento institucional · 8 páginas
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Documento de arquivo institucional. Esta página apresenta uma proposta elaborada no contexto fiscal e legislativo de 2014 para o Orçamento do Estado de 2015. As recomendações originais são preservadas como parte da memória institucional da APIPDF. A situação fiscal atual é identificada separadamente mais abaixo.
Enquadramento

Quando o sistema fiscal não acompanhava a transformação das famílias

A proposta partia da transformação das estruturas familiares e do aumento das situações de separação e divórcio, salientando que as despesas relativas aos filhos continuavam a ser suportadas por ambos os progenitores mesmo quando estes pertenciam a agregados fiscais distintos.

A APIPDF identificava uma discrepância entre o exercício conjunto das responsabilidades parentais e a forma como o IRS tratava dependentes, pensões de alimentos, despesas de saúde e educação e situações de residência alternada.

O objetivo central era aproximar a tributação da realidade económica das famílias, permitindo que o sistema refletisse melhor quem efetivamente suportava as despesas relativas aos filhos.

Diagnóstico apresentado em 2014

Três problemas centrais

1

Dependentes em dois contextos familiares

A APIPDF questionava um sistema fiscal construído em torno de um único agregado quando ambos os progenitores continuavam a exercer responsabilidades parentais e a suportar despesas relativas aos mesmos filhos.

2

Residência e responsabilidades parentais

O documento identificava falta de clareza entre conceitos como guarda, residência da criança e exercício das responsabilidades parentais, com consequências na forma de declarar os dependentes.

3

Pensões e despesas variáveis

Muitas regulações previam simultaneamente uma prestação mensal e a repartição de despesas variáveis, especialmente de saúde e educação, sem que o enquadramento fiscal fosse suficientemente claro.

Proposta da APIPDF

As recomendações apresentadas

O documento apresentou oito recomendações. A síntese abaixo respeita o conteúdo da proposta original, remetendo-se para o documento integral para a formulação completa.

1

Dependentes nas declarações de ambos os progenitores

Permitir que os filhos fossem considerados nas declarações de ambos os progenitores, para refletir de forma mais adequada a realidade familiar após a separação.

2

Equidade horizontal entre os progenitores

Aproximar o tratamento fiscal de progenitores que exercem em conjunto as responsabilidades parentais, permitindo a dedução das despesas efetivamente realizadas com os filhos.

3

Clarificar quando o dependente pode constar das duas declarações

Definir expressamente se essa possibilidade dependia da residência alternada ou se bastava o exercício conjunto das responsabilidades parentais.

4

Densificar os conceitos fiscais relevantes

Clarificar conceitos como residência única, residência alternada, monoparentalidade, pensão de alimentos e despesas dedutíveis, distinguindo prestações fixas de despesas variáveis.

5

Articular o IRS com o regime das responsabilidades parentais

Adequar a terminologia e as regras fiscais às transformações introduzidas pela Lei n.º 61/2008 no Direito da Família.

6

Incluir progenitores não casados

Abranger situações em que o exercício conjunto das responsabilidades parentais resultasse de acordo homologado ou decisão judicial, independentemente de ter existido casamento.

7

Rever os limites das deduções à coleta

Aumentar as deduções previstas para sujeitos passivos e dependentes, incluindo majorações relacionadas com idade e número de dependentes.

8

Reforçar deduções relativas a dependentes com deficiência

Aumentar a percentagem de despesas de educação e reabilitação e rever os limites aplicáveis a determinadas despesas e seguros.

Alguns dos valores concretamente propostos em 2014

Matéria Regime então referido Proposta APIPDF
Dedução por sujeito passivo 45% do IAS 60% do IAS
Majoração então aplicável a agregados monoparentais 70% do IAS 90% do IAS
Dedução por dependente ou afilhado civil 45% do IAS 55% do IAS
Agregados com três ou mais dependentes 50% do IAS por dependente 75% do IAS por dependente
Educação e reabilitação de dependentes com deficiência Regime então vigente 50% das despesas

Nota sobre o documento original

O título e a primeira página identificam expressamente o documento como recomendação para o Orçamento do Estado de 2015. No interior do próprio PDF existe, contudo, um cabeçalho que refere «Recomendações para o Orçamento de Estado de 2014». A APIPDF preserva o documento tal como foi produzido e não altera retroativamente essa inconsistência editorial.

Evolução posterior

O enquadramento fiscal mudou desde 2015

Esta proposta é um documento histórico e não descreve o atual regime do IRS. Nos anos posteriores foram introduzidas alterações significativas no tratamento fiscal dos dependentes em guarda conjunta e residência alternada.

Atualmente, quando exista exercício conjunto das responsabilidades parentais e residência alternada estabelecida no respetivo acordo, essa situação pode ser comunicada à Autoridade Tributária. O sistema permite igualmente comunicar a percentagem de partilha das despesas quando o acordo determine uma repartição diferente de 50/50.

Para os rendimentos de 2025, por exemplo, a dedução geral por dependente em guarda conjunta com residência alternada é, em regra, de 300 euros para cada responsável parental, existindo majorações em determinadas situações relacionadas com a idade e o número de dependentes.

Quanto às pensões de alimentos, o artigo 83.º-A do Código do IRS continua a prever uma dedução à coleta correspondente a 20% das importâncias comprovadamente suportadas e não reembolsadas, quando preenchidos os requisitos legais.

Assim, várias das questões identificadas pela APIPDF em 2014 foram posteriormente objeto de desenvolvimento legislativo e administrativo, embora isso não signifique que todas as recomendações constantes deste documento tenham sido acolhidas.

Arquivo documental

Consultar a proposta original

O documento integral tem oito páginas e encontra-se preservado no arquivo documental da Assembleia da República.

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Documento institucional relativo ao Orçamento do Estado para 2015
Última atualização da página: 4 de setembro de 2026