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Craig Childress: textos traduzidos sobre alienação parental

Coletânea em língua portuguesa sobre rejeição parental, vinculação, dinâmicas familiares transgeracionais, avaliação clínica e propostas de intervenção.

Esta coletânea reúne oito textos de Craig A. Childress, originalmente produzidos entre 2010 e 2013 e traduzidos para português por iniciativa da APIPDF.

Os textos documentam uma fase inicial da abordagem desenvolvida pelo autor para compreender situações em que uma criança rejeita intensamente um pai ou uma mãe no contexto da separação familiar.

Childress procura afastar-se do modelo de “síndrome de alienação parental” associado a Richard Gardner e enquadrar o fenómeno através de conceitos provenientes da teoria da vinculação, da terapia familiar sistémica, da psicologia da personalidade e da psicopatologia relacional.

Documento integral

Alienação Parental: textos traduzidos de Craig Childress

Volume coordenado pela Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos, com tradução, revisão e adaptação para português.

57 páginas 8 textos Textos originais: 2010–2013 Publicação portuguesa: 2017 Licença CC BY-NC 4.0

Enquadramento da coletânea

Os textos representam o pensamento do autor no período em que foram produzidos e devem ser interpretados no respetivo contexto científico e profissional.

A coletânea parte da ideia de que a rejeição intensa de um pai ou de uma mãe por uma criança pode resultar de diferentes causas. Childress centra-se numa configuração específica em que considera existir uma influência psicológica do progenitor favorecido sobre a criança e uma supressão da relação de vinculação com o progenitor rejeitado.

O primeiro texto critica expressamente o modelo de Gardner, considerando-o insuficiente nos planos teórico, diagnóstico, jurídico e terapêutico. Em alternativa, o autor procura utilizar categorias e modelos já existentes na psicologia clínica.

Esta reconceptualização constitui uma proposta teórica do autor. Não elimina a necessidade de investigação empírica, diagnóstico diferencial, validação dos instrumentos utilizados e análise crítica das intervenções propostas.

Conteúdo do volume

Os oito textos percorrem a crítica ao modelo de Gardner, a formulação teórica de Childress, a avaliação clínica e duas propostas de intervenção.

1

O fracasso do modelo de “alienação parental” de Gardner

Craig A. Childress, 2013 | Página 6

Crítica ao modelo de síndrome proposto por Richard Gardner e às suas limitações jurídicas, teóricas, diagnósticas e terapêuticas.

2

A narrativa de reconstituição do processo de alienação parental

Craig A. Childress, 2010 | Página 15

Apresentação de um modelo relacional no qual experiências familiares anteriores seriam reconstituídas nas relações conjugais e parentais posteriores.

3

A estrutura de relação transgeracional do processo de alienação parental

Craig A. Childress, 2010 | Página 19

Representação gráfica e explicação da alegada transmissão entre gerações de padrões relacionais e experiências de vinculação.

4

O diagnóstico DSM-IV-TR para o processo de alienação parental

Craig A. Childress | Página 21

Tentativa de enquadrar a dinâmica descrita através de categorias diagnósticas utilizadas no DSM-IV-TR e de processos de personalidade e relacionamento familiar.

5

Protocolo para a avaliação clínica do processo de alienação parental

Craig A. Childress | Página 23

Proposta de organização da admissão, entrevistas, recolha de informação e formulação clínica em casos de rejeição parental.

6

A escala de alienação de Childress

Craig A. Childress, 2010 | Página 39

Auxiliar de entrevista clínica concebido pelo autor para classificar atitudes da criança, padrões relacionais e características atribuídas aos progenitores.

7

Intervenção com sistemas estratégicos comportamentais I

Craig A. Childress, 2010 | Página 49

Primeira parte de uma proposta de intervenção destinada a alterar padrões de comportamento, poder e relacionamento dentro do sistema familiar.

8

Intervenção com sistemas estratégicos comportamentais II

Craig A. Childress, 2010 | Página 53

Continuação da proposta de intervenção, com objetivos, estrutura, regras comportamentais e formas de avaliação da evolução da relação.

Elementos do modelo apresentado

A terminologia abaixo descreve a proposta de Childress e não constitui, por si só, uma conclusão sobre uma criança ou família concreta.

Vinculação

O autor interpreta a rejeição como uma supressão induzida do funcionamento da vinculação da criança relativamente a um pai ou a uma mãe.

Triangulação familiar

A criança seria colocada no centro de um conflito conjugal e envolvida numa aliança com um progenitor contra o outro.

Transmissão transgeracional

Padrões relacionais e traumas de gerações anteriores seriam reativados e reproduzidos nas relações familiares atuais.

Inversão de papéis

A criança passaria a assumir funções emocionais relacionadas com as necessidades psicológicas de um dos progenitores.

Personalidade e defesas psicológicas

O modelo atribui importância a características narcísicas e borderline, à projeção, negação, desvalorização e divisão.

Intervenção no sistema familiar

A resposta proposta procura alterar padrões relacionais e comportamentais, em vez de tratar apenas a criança ou o progenitor rejeitado.

Utilização em contextos profissionais

O documento pode ser utilizado como fonte de estudo e discussão, mas não substitui os procedimentos técnicos exigidos em cada área profissional.

Leitura teórica e histórica

A coletânea permite acompanhar a evolução de uma das propostas de reconceptualização da alienação parental e a crítica feita pelo autor ao modelo de Gardner.

Avaliação clínica e pericial

A escala, o protocolo e as categorias propostas não devem ser utilizados isoladamente. É necessário avaliar a validação dos instrumentos, as hipóteses alternativas, a qualidade da informação e os padrões profissionais atuais.

Proteção da criança

Qualquer intervenção deve começar pela segurança e pelos direitos da criança, investigando de forma séria alegações de violência, abuso ou negligência e evitando conclusões antecipadas.

Direito e tribunais

O tribunal deve decidir com base nos factos provados, na legislação aplicável e em perícias tecnicamente fundamentadas. Uma teoria psicológica não constitui, por si só, prova de uma dinâmica familiar.

Intervenção terapêutica

Qualquer tratamento deve respeitar o consentimento informado, a competência profissional, a avaliação do risco, os direitos da criança e a adequação da intervenção ao caso.

Investigação

As hipóteses apresentadas podem ser comparadas com a literatura empírica posterior sobre rejeição injustificada, comportamentos alienantes, conflito parental, violência e relações familiares.

Perguntas para orientar a leitura

Que afirmações resultam de investigação empírica e quais resultam da formulação clínica do autor?
Os conceitos e instrumentos apresentados foram validados para a população e o contexto em que se pretende utilizá-los?
Foram consideradas explicações alternativas para a rejeição da criança?
Como foram avaliadas alegações de violência, abuso, negligência ou medo fundado?
A opinião da criança foi recolhida de forma adequada e sem pressupostos prévios?
A intervenção proposta é proporcional, segura, atual e sustentada por evidência?

Tradução, revisão e publicação

Créditos indicados no documento publicado pela APIPDF.

Coordenação Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos
Tradução da versão inglesa para português Dora Pinheiro
Revisão e interpretação para português Diogo Grácio, João Guedes, Lara Kahrel, Patrícia Mendes, Ricardo Simões e Susana Bárrios
Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional

A quem se destina?

Psicólogos e psicólogas Para análise da formulação clínica, dos instrumentos e das propostas de intervenção apresentadas.
Magistrados, magistradas e profissionais do direito Para conhecer uma abordagem presente no debate sobre rejeição parental e processos de responsabilidades parentais.
Assistentes sociais e profissionais de proteção Para reflexão sobre avaliação familiar, relações parentais e diagnóstico diferencial.
Investigadores, investigadoras e estudantes Para estudo da evolução conceptual e das controvérsias científicas e profissionais.

Última atualização: agosto de 2026