Apoio ou desautorização
Em que medida cada progenitor reconhece, apoia ou, pelo contrário, desvaloriza a competência e a autoridade parental do outro.
Como pais e mães coordenam os cuidados, decisões, responsabilidades e relações parentais antes e depois da separação, e de que forma cooperação, conflito e organização familiar podem influenciar o bem-estar das crianças.
A coparentalidade refere-se à forma como duas ou mais figuras parentais se relacionam e coordenam entre si enquanto responsáveis pela educação, proteção e cuidado de uma criança.
É, portanto, diferente da relação conjugal. Um casal pode terminar a sua relação afetiva e continuar a ter uma relação coparental, porque as responsabilidades relativas aos filhos e filhas permanecem.
A qualidade dessa relação pode variar ao longo do tempo. Pode existir cooperação elevada, coordenação mais funcional e limitada ou, pelo contrário, conflito, desautorização e dificuldades persistentes de comunicação.
Coparentalidade não significa que os progenitores tenham de concordar sobre tudo. O elemento central é a capacidade de exercer as funções parentais sem colocar a criança no centro dos conflitos entre adultos e de coordenar aquilo que necessita efetivamente de coordenação.
Um dos modelos mais utilizados na investigação, desenvolvido por Mark Feinberg, organiza a coparentalidade em quatro grandes dimensões relacionadas entre si.
Em que medida cada progenitor reconhece, apoia ou, pelo contrário, desvaloriza a competência e a autoridade parental do outro.
Diferenças relativas a educação, regras, valores, disciplina, saúde, escola e outras matérias associadas ao desenvolvimento da criança.
Forma como tarefas, responsabilidades, disponibilidade, carga mental e cuidados quotidianos são repartidos entre as figuras parentais.
Inclui a forma como os adultos gerem a comunicação, protegem a criança do conflito e organizam as interações entre os diferentes elementos da família.
Na prática profissional é importante não utilizar coparentalidade, responsabilidades parentais, corresponsabilidade e residência alternada como se fossem sinónimos.
| Conceito | Significado principal |
|---|---|
| Coparentalidade | Qualidade e organização da relação entre as pessoas que desempenham funções parentais relativamente à criança. |
| Responsabilidades parentais | Conceito jurídico relativo aos deveres e poderes funcionais dos progenitores quanto à proteção, educação, representação e desenvolvimento dos filhos e filhas. |
| Corresponsabilidade parental | Participação efetiva de ambos os progenitores nas decisões, cuidados, responsabilidades e encargos relativos à criança. |
| Residência alternada | Forma de organização da residência da criança entre os agregados familiares de ambos os progenitores. |
| Relação conjugal | Relação afetiva entre os adultos. Pode terminar sem que termine a relação coparental. |
O conflito faz parte das relações humanas. O que merece particular atenção profissional é o conflito frequente, intenso, hostil, mal resolvido ou aquele em que a criança é envolvida diretamente.
A investigação sobre famílias separadas tem associado o conflito interparental a dimensões da parentalidade e do ajustamento psicossocial das crianças. Esses efeitos não são, porém, uniformes nem determinados apenas pelo facto de existir desacordo.
A forma como os adultos gerem os conflitos, preservam as relações parento-filiais e mantêm a criança fora das disputas é, por isso, uma dimensão importante da avaliação familiar.
A utilização indiscriminada da expressão “alto conflito” pode ocultar realidades distintas. Desacordo intenso, comunicação disfuncional, violência doméstica, controlo coercivo, maus-tratos e abuso não são categorias equivalentes.
Quando existem indicadores de violência, abuso, negligência ou risco para a criança ou para um progenitor, a prioridade é a avaliação da segurança. Nesses casos, exigir cooperação direta entre os adultos pode não ser adequado.
Da mesma forma, a existência de alegações não permite determinar antecipadamente a sua veracidade ou falsidade. A intervenção deve avaliar os factos e as hipóteses relevantes no caso concreto.
O grau de contacto e coordenação adequado pode variar em função da família, da idade da criança, das decisões que precisam de ser tomadas, do nível de conflito e de eventuais questões de segurança.
Comunicação relativamente frequente, tomada conjunta de decisões relevantes, flexibilidade e capacidade de resolver divergências sem envolver a criança.
Regras claras, plano parental detalhado, canais específicos de comunicação e menor necessidade de negociação quotidiana. Pode ser útil quando a cooperação é limitada.
Organização que procura reduzir o contacto direto entre progenitores muito conflituosos, delimitando responsabilidades, transições e comunicação. Não substitui medidas de proteção quando existem problemas de segurança.
A avaliação da coparentalidade deve ultrapassar rótulos genéricos como “boa relação”, “má relação” ou “alto conflito”. É necessário identificar comportamentos, contextos e efeitos concretos.
A investigação sobre coparentalidade desenvolveu-se fortemente nas últimas décadas. Os resultados devem ser interpretados considerando desenhos de estudo, amostras, medidas utilizadas e diferenças entre famílias.
Propôs um dos quadros conceptuais mais influentes, distinguindo apoio coparental, desacordo, divisão do trabalho e gestão das interações familiares.
Consultar publicação →Meta-análise de 115 amostras e 24.854 famílias encontrou associações entre conflito interparental, diferentes dimensões da parentalidade e problemas internalizantes e externalizantes das crianças.
Consultar meta-análise →Uma revisão de âmbito mostrou a natureza sistémica da coparentalidade e as relações entre funcionamento coparental, envolvimento parental, bem-estar dos adultos e desenvolvimento das crianças.
Consultar revisão →Uma revisão sistemática recente encontrou resultados promissores em diferentes intervenções, mas salientou que a evidência ainda é insuficiente para conclusões definitivas e que persistem importantes lacunas de investigação.
Consultar revisão →Uma síntese de 23 estudos publicados entre 2015 e 2025 encontrou associações entre formas construtivas de gestão do conflito e melhores indicadores de ajustamento, embora os resultados dependam de múltiplos fatores.
Consultar síntese →A área de Coparentalidade da APIPDF inclui também textos anteriormente traduzidos ou disponibilizados pela Associação. Estes materiais devem ser lidos considerando a respetiva autoria, fonte e data, e não como sínteses atuais da evidência científica.
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