Identificar modelos
Reunir protocolos e programas descritos na literatura científica e profissional internacional.
As situações em que uma criança ou adolescente resiste, recusa ou interrompe o contacto com um pai ou uma mãe constituem alguns dos casos mais complexos da intervenção psicológica, social e judicial em famílias após a separação.
Nas últimas décadas foram desenvolvidos diferentes protocolos, modelos terapêuticos, programas psicoeducativos e intervenções intensivas destinados a responder a estas situações. Esta página reúne modelos descritos na literatura especializada e identifica, sempre que possível, os dados empíricos publicados sobre cada um.
Não existe um único protocolo de intervenção para todas as situações de rejeição ou resistência ao contacto. Os modelos existentes diferem quanto à população a que se destinam, intensidade, enquadramento judicial, participação dos pais/mães, duração e pressupostos teóricos.
Reunir protocolos e programas descritos na literatura científica e profissional internacional.
Apresentar de forma sintética o formato, destinatários e principais componentes de cada intervenção.
Distinguir estudos de resultados, seguimentos, estudos piloto e modelos clínicos publicados sem avaliação de eficácia.
A presença de um protocolo nesta página significa que existe documentação profissional ou científica suficiente para o identificar e enquadrar. A escolha de uma intervenção depende sempre da avaliação da criança, da família, da segurança, da natureza da rutura relacional e do contexto concreto do caso.
Resistência ou recusa de contacto é uma descrição do comportamento da criança, não uma explicação automática para a sua origem. A avaliação deve anteceder a seleção do protocolo.
O Child Impact Assessment Framework é o quadro utilizado pelo Cafcass para apoiar a avaliação do impacto das experiências familiares sobre a criança em processos de Direito da Família.
Inclui recursos específicos destinados a compreender por que razão uma criança não pretende passar tempo com um pai, mãe ou outro familiar significativo.
Fidler e Bala propõem uma abordagem diferenciada às situações em que crianças resistem ou recusam contacto após a separação.
O modelo distingue diferentes configurações relacionais e chama a atenção para a necessidade de identificar as causas e a gravidade do problema antes de selecionar a intervenção.
A declaração conjunta da Association of Family and Conciliation Courts e do National Council of Juvenile and Family Court Judges recomenda uma abordagem centrada na criança, avaliação individual do caso, rastreio de segurança e consideração dos diferentes fatores que podem contribuir para problemas de contacto parento-filial.
A investigação sobre reunificação e problemas de contacto parento-filial é ainda heterogénea. Por isso, cada protocolo é acompanhado por uma indicação do tipo de evidência disponível.
Existe uma avaliação empírica publicada dos participantes ou das relações familiares após a intervenção.
Existem dados recolhidos algum tempo depois da intervenção, permitindo observar a manutenção ou evolução dos resultados.
Existem dados empíricos, habitualmente com amostras pequenas e sem grupo de comparação.
O modelo foi descrito em publicação científica ou técnica, mas ainda não possui avaliação robusta de resultados.
Estes modelos dispõem de pelo menos uma publicação que apresenta dados recolhidos junto de participantes antes, durante ou depois da intervenção.
Programa educativo e experiencial intensivo destinado a crianças e adolescentes com rejeição grave e considerada injustificada de um progenitor.
Programa familiar intensivo desenvolvido para famílias pós-separação em conflito elevado nas quais uma criança resiste ou recusa contacto com um progenitor.
Programa intensivo concebido para situações de rejeição parento-filial grave, trabalhando a criança e o sistema familiar.
Intervenção terapêutica estrutural intensiva para situações descritas como alienação parental grave, envolvendo a criança e o progenitor rejeitado.
Intervenções de aconselhamento familiar destinadas a crianças que resistiam às visitas ou ao contacto com um progenitor.
Modelo de intervenção familiar concebido para adaptar a resposta ao tipo de problema que está na origem da rejeição da criança, em vez de aplicar o mesmo tratamento a todas as famílias.
Para além dos programas com estudos de resultados próprios, a literatura descreve outros modelos estruturados que constituem referências relevantes para profissionais que trabalham com problemas de contacto parento-filial.
Modelo destinado a casos graves de rejeição parento-filial. Prevê uma sequência coordenada de intervenção clínica e judicial, incluindo apoio terapêutico à criança, ao progenitor rejeitado e ao progenitor preferido.
O modelo procura evitar a exclusão permanente de qualquer progenitor e defende acompanhamento judicial durante o processo.
Modelo de terapia familiar para situações em que uma criança recusa ou interrompe uma relação com um progenitor no contexto de divórcio de elevado conflito.
Cada membro da família recebe objetivos terapêuticos próprios e é chamado a participar na resolução dos problemas familiares.
Modelo recente para tratamento de problemas de contacto parento-filial através de um único terapeuta, procurando integrar a literatura existente sobre reunificação e princípios sistémicos de terapia familiar.
A intervenção encontra-se organizada em três fases sucessivas de tratamento, permitindo flexibilidade na escolha das técnicas clínicas.
Modelo de reunificação inicialmente desenvolvido para crianças e famílias após situações de rapto, mas relevante para a literatura mais ampla sobre reconstrução de relações familiares gravemente interrompidas.
Utiliza uma abordagem sistémica, orientada por fases, informada pelo trauma e adaptada ao caso concreto.
Programa manualizado dirigido especificamente a progenitores e filhos/as já adultos/as que pretendem reconstruir uma relação interrompida.
É concebido para utilização voluntária em ambulatório por profissionais de saúde mental e inclui princípios clínicos, atividades estruturadas, exercícios e trabalho entre sessões.
Intervenção dirigida a situações graves de rutura da relação parento-filial e incluída na literatura comparativa sobre programas intensivos de reunificação.
É referida juntamente com Family Bridges, Family Reflections, Overcoming Barriers, Transitioning Families e Turning Points em análises comparativas destas intervenções.
A tabela permite identificar rapidamente diferenças de formato e do tipo de evidência disponível. Não constitui uma classificação de eficácia.
| Modelo | Tipo | População / situação | Formato | Evidência disponível |
|---|---|---|---|---|
| Family Bridges | Psicoeducativo intensivo | Rejeição grave | 4 dias | Estudos de resultados, incluindo amostra de 83 crianças/adolescentes |
| Overcoming Barriers | Clínico + psicoeducativo | Resistência/recusa e conflito elevado | 5 dias + follow-up | Avaliação inicial e estudo de seguimento |
| Family Reflections | Reunificação intensiva | Rejeição grave | Intensivo + acompanhamento | Estudo piloto com follow-up até 12 meses |
| Turning Points for Families | Terapêutico estrutural | Alienação parental grave | 4 dias | Avaliação empírica publicada |
| MMFI | Intervenção multimodal | Diferentes níveis e causas de rejeição | Adaptado ao caso | Modelo publicado + dados clínicos relacionados |
| Family-Based Therapy | Terapia familiar | Recusa de contacto | Ambulatório | Modelo clínico + caso ilustrativo |
| BSIM | Clínico-judicial sequencial | Rejeição grave | Faseado | Modelo estruturado publicado |
| Single-Therapist Framework | Terapia familiar integrativa | Problemas de contacto parento-filial | 3 fases | Modelo baseado em revisão da literatura |
| Transitioning Families | Sistémico e informado pelo trauma | Relações interrompidas, originalmente após rapto | Faseado | Modelo publicado e experiência clínica |
| Restoring Family Connections | Intervenção familiar voluntária | Progenitores e filhos/as adultos/as | Ambulatório | Programa manualizado |
Existem resultados empíricos publicados para vários dos programas, mas a investigação sobre reunificação familiar apresenta ainda limitações metodológicas importantes.
Grande parte dos estudos disponíveis utiliza séries de casos, avaliações antes/depois, follow-up de participantes ou amostras selecionadas de famílias submetidas a programas específicos. Há poucos estudos comparativos e praticamente não existem ensaios aleatorizados capazes de comparar diferentes intervenções em condições equivalentes.
Isto não significa que os resultados publicados não tenham valor. Significa que devem ser interpretados de acordo com o desenho do estudo e sem atribuir a um programa um nível de certeza superior àquele que os dados permitem.
Autores de vários protocolos publicaram resultados favoráveis das suas intervenções. Outros investigadores questionaram a metodologia utilizada, a definição de resultados, a seleção das famílias e a possibilidade de atribuir as alterações observadas exclusivamente ao tratamento. Para profissionais, o mais útil é conhecer tanto os dados publicados como as respetivas limitações metodológicas.
Distinguir, tanto quanto possível, comportamentos alienantes, experiências negativas reais, conflito de lealdades, violência, dificuldades parentais, fatores próprios da criança e combinações destas circunstâncias.
Uma resistência ocasional ao contacto, uma relação fragilizada e uma rejeição persistente e total não requerem necessariamente o mesmo grau de intervenção.
Violência doméstica, controlo coercivo, maus-tratos, negligência, abuso ou outros riscos devem ser avaliados antes de promover qualquer aproximação relacional.
Alguns programas trabalham essencialmente a criança e o progenitor rejeitado. Outros intervêm com todo o sistema familiar, incluindo o progenitor preferido e a coparentalidade.
Há modelos concebidos para intervenção voluntária e outros fortemente articulados com decisões judiciais, supervisão do tribunal ou alterações temporárias da organização familiar.
Restabelecer contacto físico não é necessariamente sinónimo de recuperação relacional. Importa definir previamente indicadores de segurança, bem-estar, comunicação e qualidade da relação.
A avaliação deve continuar após a intervenção para verificar se as alterações se mantêm e se surgem novos problemas ou riscos.
A diversidade dos protocolos existentes reflete a própria complexidade das ruturas parento-filiais após a separação. Há intervenções intensivas, terapia familiar em ambulatório, modelos multimodais, programas psicoeducativos e abordagens que combinam intervenção clínica e acompanhamento judicial.
O conhecimento destes modelos permite aos profissionais comparar alternativas, analisar os pressupostos de cada intervenção, consultar os resultados publicados e selecionar respostas proporcionais à situação concreta da criança e da família.
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