Conteúdo de autor · Psicologia · Coparentalidade

Que consequência tem na mãe a corresponsabilidade do pai nos cuidados aos filhos/as?

Texto de José Manuel Aguilar sobre os efeitos do envolvimento paterno no funcionamento familiar, apresentado com contextualização científica e metodológica atual.

José Manuel Aguilar Psicólogo Tradução de Liliana Carvalho Revisão e adaptação de Ricardo Simões
Este texto integra a área profissional de Coparentalidade .
José Manuel Aguilar, psicólogo e autor do texto sobre corresponsabilidade parental
Conteúdo de autor

José Manuel Aguilar

Psicólogo

Neste texto, José Manuel Aguilar desloca a análise dos efeitos da corresponsabilidade parental da criança para o conjunto do sistema familiar, perguntando de que modo uma maior participação paterna nos cuidados pode também estar relacionada com o funcionamento parental das mães.

A versão portuguesa foi traduzida do castelhano por Liliana Carvalho, com revisão e adaptação de Ricardo Simões, e publicação coordenada pela Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos.

A argumentação e as conclusões do texto pertencem ao autor. A contextualização científica acrescentada nesta página em 2026 encontra-se separada da versão original.

Autor José Manuel Aguilar
Área Psicologia
Tradução Liliana Carvalho
Revisão e adaptação Ricardo Simões
Coordenação editorial APIPDF
Licença Creative Commons BY-NC-SA 4.0

Nota editorial da APIPDF

O texto utiliza investigação publicada sobretudo entre as décadas de 1970 e 2000 e deve ser interpretado atendendo ao conhecimento disponível quando foi produzido.

A sua principal contribuição continua relevante: chamar a atenção para o facto de que a participação de pais e mães nos cuidados pode produzir efeitos sobre o funcionamento de todo o sistema familiar e não apenas sobre a relação individual de cada progenitor com a criança.

Algumas relações causais apresentadas no texto exigem, contudo, maior prudência à luz da investigação posterior. Em particular, envolvimento paterno, qualidade da coparentalidade e residência da criança são dimensões relacionadas, mas não equivalentes.

A tese do autor: a corresponsabilidade produz efeitos em todo o sistema familiar

Aguilar parte da ideia de que o debate sobre parentalidade partilhada se concentra frequentemente nos possíveis benefícios para as crianças, deixando em segundo plano aquilo que acontece com os próprios progenitores.

A partir da literatura utilizada, o autor sustenta que uma participação paterna mais elevada nos cuidados pode associar-se a alterações positivas no funcionamento das mães e que existe uma relação de influência recíproca entre envolvimento paterno, apoio materno, funcionamento coparental e desenvolvimento da criança.

O argumento desenvolvido no texto

1

Participação paterna

O autor mobiliza investigação que associa níveis superiores de envolvimento dos pais nos cuidados a determinadas perceções e comportamentos maternos.

2

Funcionamento materno

Aguilar refere estudos nos quais o apoio e participação paterna aparecem associados a maior disponibilidade, flexibilidade ou sensibilidade materna.

3

Influência recíproca

O artigo não apresenta apenas uma relação pai-mãe. Também argumenta que o apoio das mães ao envolvimento paterno pode melhorar a qualidade da participação dos pais nos cuidados.

4

Sistema familiar

A ideia mais ampla é sistémica: relações conjugais, coparentalidade, parentalidade e ajustamento das crianças interagem entre si.

Uma distinção metodológica importante

O texto passa por vezes de resultados sobre envolvimento paterno e coparentalidade para conclusões formuladas em termos de “custódia partilhada”. Estas realidades não devem ser tratadas como equivalentes.

Parte dos estudos citados não analisou famílias separadas nem regimes de residência alternada. Por exemplo, Brody e colaboradores estudaram famílias biparentais com progenitores casados. Esses resultados podem informar a compreensão da cooperação parental, mas não constituem, por si sós, uma avaliação dos efeitos de um determinado regime de residência após a separação.

Também é necessário distinguir associação de causalidade. Quando maior envolvimento do pai aparece associado a melhor funcionamento materno ou infantil, podem existir mecanismos intermédios e fatores de contexto que expliquem parte dessa relação.

Três dimensões que não devem ser confundidas

Cuidados

Envolvimento paterno

Participação do pai em cuidados diretos, educação, acompanhamento, brincadeira, decisões, tarefas e disponibilidade emocional.

Relação parental

Coparentalidade

Forma como as figuras parentais se apoiam, coordenam, comunicam, distribuem responsabilidades e gerem os seus desacordos enquanto progenitores.

Organização residencial

Residência alternada

Forma de organização da residência da criança entre os agregados familiares dos progenitores. Não determina, por si só, a qualidade da coparentalidade ou dos cuidados.

O que acrescenta a investigação mais recente?

A investigação posterior reforça a importância da participação paterna e da qualidade da relação coparental, mas mostra que os mecanismos são mais complexos do que uma relação direta entre quantidade de cuidados e bem-estar materno.

Portugal · 2023

Envolvimento paterno, coparentalidade e stress materno

Um estudo com 254 mães casadas ou em coabitação e com crianças em idade pré-escolar mostrou que a associação entre participação paterna e stress materno depende significativamente da qualidade da coparentalidade. Menor conflito e maior cooperação alteraram o padrão da relação entre cuidados paternos e stress.

Consultar estudo →
Revisão sistemática · 2023

Intervenções que incluem os pais

Uma revisão de 33 avaliações de intervenções que incluíam pais ou outros cuidadores masculinos encontrou globalmente efeitos positivos em resultados maternos, paternos e da relação do casal. Os efeitos nas crianças foram mais variáveis.

Consultar revisão →
Meta-análise · 2021

Programas de coparentalidade

Uma meta-análise de 27 ensaios randomizados encontrou efeitos pequenos mas estatisticamente significativos dos programas de coparentalidade no bem-estar dos progenitores e na qualidade das relações coparentais e conjugais.

Consultar meta-análise →
Meta-análise · 2024

Relação conjugal e coparentalidade

A análise de 108 estudos encontrou uma associação moderada entre satisfação conjugal e qualidade da coparentalidade, demonstrando novamente que diferentes dimensões do sistema familiar estão relacionadas sem serem o mesmo fenómeno.

Consultar meta-análise →

Uma formulação mais rigorosa em 2026

Existe hoje base científica para considerar que a participação efetiva dos pais nos cuidados e uma coparentalidade cooperativa podem produzir benefícios que se distribuem pelo sistema familiar, incluindo o bem-estar dos próprios progenitores.

Não é, contudo, rigoroso afirmar que uma determinada quantidade de participação paterna ou um determinado regime residencial produz automaticamente mães mais pacientes, sensíveis ou competentes. Os resultados dependem da qualidade da relação coparental, da distribuição efetiva das responsabilidades, do conflito, das condições sociais e económicas, da relação de cada progenitor com a criança e de outras características da família.

Esta nuance não diminui a importância da corresponsabilidade. Pelo contrário, desloca o foco de uma mera divisão formal do tempo para a participação efetiva nos cuidados e para a qualidade da cooperação parental.

Consultar o texto integral de José Manuel Aguilar

A versão portuguesa integral permanece disponível em PDF, com a redação do autor, notas da tradução, referências bibliográficas e créditos editoriais originais.

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Autor: José Manuel Aguilar, psicólogo.

Versão portuguesa: tradução do castelhano por Liliana Carvalho, revisão e adaptação no idioma português por Ricardo Simões e coordenação da tradução e publicação pela Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos.

Licença: Creative Commons Atribuição, Uso Não Comercial, Partilha nos Termos da Mesma Licença 4.0 Internacional.

O enquadramento científico e metodológico introduzido nesta página em 2026 é da responsabilidade da APIPDF e não deve ser atribuído ao autor.

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Sobre este conteúdo: a publicação de textos de autor permite preservar contributos relevantes para o debate sobre parentalidade e família. As conclusões desses textos devem ser distinguidas do enquadramento científico atualizado e da posição institucional atual da APIPDF.

Enquadramento editorial atualizado em agosto de 2026