Dados e séries históricas

Estatísticas da Justiça de Família e Menores em Portugal

Uma leitura acessível dos principais indicadores sobre processos tutelares cíveis, responsabilidades parentais, pendência, duração dos processos, acordos e mediação familiar. As séries históricas apresentadas abrangem, conforme o indicador, o período entre 1994 e 2025.

Séries históricas: 1994–2024 Movimento processual: 2025 Fontes oficiais: DGPJ e PGR Tratamento e sistematização: APIPDF

A informação estatística sobre a Justiça de Família e Menores encontra-se dispersa por diferentes bases oficiais, anos, classificações processuais e estruturas territoriais. Esta página reúne e organiza uma seleção dos indicadores que melhor permitem compreender a evolução do sistema e, em particular, dos processos relacionados com as responsabilidades parentais.

Não se pretende reproduzir todas as variáveis existentes. O objetivo é apresentar de forma compreensível as principais tendências, preservando a possibilidade de distinguir entre processos entrados, findos e pendentes, diferentes objetos de ação e alterações ocorridas ao longo do tempo.

Antes de interpretar os números

Um processo não corresponde necessariamente a uma família ou a uma criança. Uma mesma situação familiar pode dar origem a uma regulação inicial e, posteriormente, a processos de incumprimento, alteração ou outros incidentes.

Existe também uma quebra importante de comparabilidade em 2014 e 2015, associada à reforma do mapa judiciário e às transferências internas de processos decorrentes da Lei n.º 62/2013. Os valores anormalmente elevados desses anos não devem ser lidos como um aumento equivalente da conflitualidade familiar.

Os anos de 2020 e 2021 devem igualmente ser interpretados tendo em conta os efeitos da pandemia de COVID-19 sobre o funcionamento dos tribunais. O último ano disponível também varia consoante o indicador: alguns dados de movimento e duração já se encontram disponíveis para 2025, enquanto várias séries detalhadas por objeto de ação terminam em 2024.

O retrato mais recente

Indicadores selecionados das estatísticas de 2025 e da caracterização dos processos findos em 2024.

34 081 processos entrados Poder paternal / responsabilidades parentais, 2025
33 292 processos findos Poder paternal / responsabilidades parentais, 2025
20 436 processos pendentes Poder paternal / responsabilidades parentais, 2025
88,5% dos tutelares cíveis findos tinham como objeto poder paternal / responsabilidades parentais em 2024

Movimento processual em 2025

34 081 Entrados
33 292 Findos
20 436 Pendentes

Valores nacionais relativos ao tipo de objeto de ação “Poder paternal/responsabilidades parentais”.

Duração média dos principais processos em 2025

Regulação
6 meses
Incumprimento
7 meses
Alteração
9 meses

A duração média de todos os processos findos incluídos nesta categoria foi de 7 meses em 2025. As médias não permitem conhecer a distribuição entre processos muito rápidos e processos particularmente longos.

Trinta anos de evolução

Comparação entre 1994 e 2024 de três grandes áreas da justiça tutelar.

Processos tutelares cíveis findos
1994 14 889
2024 36 231
+143%
Processos de promoção e proteção findos
1994 1 346
2024 5 027
+273%
Processos tutelares educativos findos
1994 1 434
2024 952
−34%

A evolução não é uniforme. A série mostra uma forte expansão histórica da intervenção tutelar cível e da promoção e proteção, enquanto os processos tutelares educativos apresentam uma trajetória distinta. Isto significa que falar genericamente de “processos de menores” esconde realidades processuais muito diferentes.

Movimento e pendência da justiça tutelar

Processos entrados, findos e pendentes nos tribunais judiciais de 1.ª instância.

Evolução entre 2007 e 2024

Número de processos por ano. O ano de 2014 não é representado e 2015 encontra-se assinalado como período de quebra de série.

2014–2015: a reorganização judiciária originou transferências internas que inflacionaram os números de processos entrados e findos. O pico de 2015 não deve ser interpretado como um aumento equivalente da procura judicial.

Ver os valores representados no gráfico
Ano Entrados Findos Pendentes
200753 36151 39250 498
200853 26548 47955 284
200957 97457 23256 026
201050 10652 11954 013
201150 24153 05751 197
201255 61955 33051 486
201355 38255 29951 569
2015*63 91777 65646 864
201661 82272 25336 433
201758 82066 15429 099
201853 50556 67225 932
201957 08457 40325 613
202046 57746 71225 478
202147 57149 28523 764
202250 40951 14423 029
202351 17549 58124 623
202451 16150 76525 019
50 498 → 25 019 A pendência total em 2024 era aproximadamente metade da registada em 2007.
−50% Variação aproximada dos processos pendentes entre 2007 e 2024.
≈ 99% Em 2024, o número de processos findos ficou muito próximo do número de processos entrados.

Que processos tutelares cíveis chegam aos tribunais?

Distribuição dos processos findos por grandes objetos de ação em 2024.

88,5% 32 052 de 36 231 processos

As responsabilidades parentais dominam a justiça tutelar cível

Em 2024, quase nove em cada dez processos tutelares cíveis findos estavam classificados na área de poder paternal/responsabilidades parentais. As restantes categorias representam, individualmente, uma parcela muito menor do movimento processual.

Responsabilidades parentais
32 052
Outros
2 628
Alimentos
1 210
Adoção e apadrinhamento
276
Filiação
54
Comparar 2008, 2015 e 2024
Objeto de ação 2008 2015* 2024 Variação 2008–2024
Filiação1 9951 88954−97%
Poder paternal / responsabilidades parentais32 50752 06032 052−1%
Adoção e apadrinhamento civil879428276−69%
Alimentos7451 4021 210+62%
Outros6732 9802 628+290%
N.E.3621111−69%
Total36 83558 97036 231−2%

* 2015 encontra-se afetado pelas alterações do mapa judiciário e pelas transferências internas de processos.

O que mudou nas responsabilidades parentais?

Regulação inicial, incumprimento e alteração da regulação não têm evoluído da mesma forma.

Em 2007, a regulação inicial tinha um peso muito superior ao dos processos posteriores. Em 2024, os incumprimentos e alterações, em conjunto, representavam cerca de 59,5% de todos os processos findos classificados na área de poder paternal/responsabilidades parentais.

Isto sugere uma transformação importante do tipo de procura judicial: uma parte cada vez mais relevante da atividade não está na primeira definição do regime, mas nos litígios e necessidades de reajustamento que surgem depois.

38,3%
34,8%
24,7%
Regulação: 12 269 Incumprimento: 11 154 Alteração: 7 926 Outros objetos da categoria: 703

Regulação, incumprimento e alteração: 2007–2024

Processos findos nos tribunais judiciais de 1.ª instância.

Os anos de 2014 e 2015 estão assinalados devido à quebra de série resultante da reorganização do mapa judiciário. Os picos nesses anos devem ser interpretados com particular cautela.

Ver a série anual
Ano Regulação Incumprimento Alteração
200716 6217 5905 397
200816 7779 1595 828
200916 7399 3536 060
201016 58310 9336 247
201116 37311 6746 460
201216 60312 1236 831
201315 92513 1307 210
2014*13 97111 2746 356
2015*19 71120 95210 692
201617 54620 6199 792
201715 71918 3769 338
201813 20515 6538 785
201912 47713 8898 481
202010 59312 0117 225
202111 84611 7307 529
202213 27811 3887 759
202312 11211 0437 514
202412 26911 1547 926
−26% Regulações findas entre 2007 e 2024.
+47% Incumprimentos findos entre 2007 e 2024.
+47% Alterações da regulação findas entre 2007 e 2024.

Onde se concentram os processos em 2025?

Cinco comarcas com maior número de processos entrados e cinco com maior pendência na área de poder paternal/responsabilidades parentais.

Maior número de processos entrados

Porto
4 294
Lisboa
4 268
Lisboa Oeste
3 753
Lisboa Norte
2 677
Aveiro
2 254

Maior número de processos pendentes

Lisboa Oeste
4 185
Lisboa
3 595
Porto
1 566
Faro
1 474
Lisboa Norte
1 323

Estes valores não estão ajustados à população residente de cada comarca. Por isso, medem volume processual absoluto e não a probabilidade relativa de recurso ao tribunal em cada território.

Responsabilidades parentais por acordo

Acordos remetidos pelas Conservatórias do Registo Civil ao Ministério Público.

15 079

Acordos recebidos em 2024

Número de acordos de regulação do exercício das responsabilidades parentais recebidos pelo Ministério Público das Conservatórias do Registo Civil.

93,6%

Pareceres de concordância

Percentagem de pareceres de concordância registada em 2024 na série apresentada.

+82%

Evolução desde 2014/2015

Os acordos recebidos passaram de 8 273 em 2014/2015 para 15 079 em 2024.

Ver evolução dos acordos recebidos
Ano Acordos recebidos Pareceres de concordância % concordância
2014/20158 2737 71293,2%
2015/20165 4555 25096,2%
20179 3048 63892,8%
201810 97910 03191,4%
201910 0349 77697,4%
20209 7679 00592,2%
202110 6149 62190,6%
202214 42913 08090,7%
202316 61015 25591,8%
202415 07914 11593,6%

Outros indicadores da Justiça de Família em 2025

Mediação pública familiar e divórcios/separações por mútuo consentimento.

Mediação pública familiar

Em 2025 foram dados como findos 228 processos de mediação pública familiar.

74 Terminaram com acordo
103 Terminaram por desistência

Os 74 processos terminados com acordo correspondem a cerca de 32,5% dos processos de mediação familiar findos naquele ano. Este indicador não mede todas as formas de mediação familiar existentes em Portugal, apenas a mediação pública incluída nesta estatística.

Divórcio e separação

As estatísticas de 2025 mostram a coexistência de vias judiciais e não judiciais para a dissolução da relação conjugal.

11 725 Atos de divórcio e separação por mútuo consentimento nas conservatórias
7 342 Processos de divórcio e separação entrados nos tribunais

As duas estatísticas não correspondem exatamente ao mesmo universo processual e não devem ser somadas ou interpretadas como duas parcelas diretamente equivalentes. São apresentadas apenas para ilustrar a coexistência das diferentes vias.

Investigação e utilização dos dados

Uma série estatística construída ao longo de vários anos

A APIPDF tem vindo a recolher e sistematizar informação estatística oficial relativa aos tribunais e aos processos tutelares cíveis, permitindo construir séries temporais que ultrapassam a leitura isolada de um único ano.

Em dezembro de 2025, a apresentação “Uma análise retrospetiva das estatísticas portuguesas sobre responsabilidades parentais nos tribunais portugueses – 1994 a 2024”, de João Pedroso (FEUC/CES), Paula Casaleiro (CES) e Andreia Santos, apresentada na 7th Conference on Shared Parenting, utilizou parcialmente a base “Painel Anual de Estatísticas de Tribunais e Processos Tutelares Cíveis”.

Essa base foi desenvolvida no âmbito do projeto “A evolução da regulação das responsabilidades parentais nos tribunais portugueses”, coordenado por Constança Esteves-Sorenson (UCLA), com financiamento da Universidade da Califórnia, Los Angeles, em parceria com a APIPDF. A equipa indicada na documentação do projeto integra João Preto, Joana Cruz, Ricardo Simões, Sofia Marinho e Fernanda Diamantino.

A utilização académica destes dados reforça a importância de construir séries consistentes, identificar quebras metodológicas e distinguir os dados oficiais das interpretações que sobre eles são produzidas.

Como ler corretamente estas estatísticas

Processos não são pessoas

Um número de processos não corresponde ao mesmo número de crianças, pais/mães ou famílias. Uma mesma família pode originar mais de um processo ao longo do tempo.

Entrados, findos e pendentes são indicadores diferentes

Os processos entrados medem a procura processual num determinado período. Os processos findos refletem a atividade de conclusão processual. Os pendentes representam a carga processual que se mantém por concluir.

Uma média não descreve todos os processos

A duração média é útil para acompanhar tendências gerais, mas pode esconder diferenças significativas entre processos resolvidos rapidamente e processos que permanecem durante períodos muito superiores à média.

As classificações mudaram ao longo do tempo

As séries históricas mantêm categorias como “poder paternal”, utilizadas nas estatísticas mais antigas. A terminologia jurídica portuguesa passou posteriormente a utilizar a expressão responsabilidades parentais.

Existem quebras de série

Alterações do mapa judiciário, modificações na recolha estatística e acontecimentos extraordinários, como a pandemia de COVID-19, podem afetar a comparabilidade entre anos. Por esse motivo, variações abruptas devem ser interpretadas juntamente com o contexto institucional em que ocorreram.

Fontes e tratamento dos dados

Direção-Geral da Política de Justiça – Estatísticas da Justiça

Principal fonte dos dados relativos a movimento processual, processos tutelares cíveis findos, duração, tribunais, registos e mediação pública. Consultar informação da DGPJ sobre os dados de 2025 .

Séries longas das Estatísticas da Justiça

A DGPJ disponibiliza séries históricas de longo prazo que permitem acompanhar a evolução do sistema de justiça português. Consultar informação sobre as séries longas .

Procuradoria-Geral da República / Ministério Público

Relatórios Síntese do Ministério Público, utilizados designadamente para a série relativa aos acordos de regulação do exercício das responsabilidades parentais provenientes das Conservatórias do Registo Civil. Consultar o Relatório Síntese de 2024 .

Tratamento e sistematização

Os indicadores desta página resultam da seleção, organização e sistematização de dados oficiais efetuada pela APIPDF e do trabalho desenvolvido na construção de séries históricas sobre Justiça de Família e Menores. Quando são apresentadas taxas de variação ou proporções, estas resultam de cálculos efetuados a partir dos valores das respetivas séries.

Última atualização: agosto de 2026