Arquivo histórico APIPDF · 2011

A Experiência do Tribunal de Cochem-Zell

Cooperação coordenada e interdisciplinar na resolução de conflitos parentais: uma experiência alemã apresentada em Portugal pela APIPDF em duas conferências realizadas em Lisboa e no Porto.

Lisboa: 7 de abril de 2011 Porto: 8 de abril de 2011 Orador: Jürgen Rudolph

O que ficou conhecido como prática ou modelo de Cochem?

A chamada prática de Cochem desenvolveu-se na Alemanha a partir do início da década de 1990 como uma forma de organização da intervenção profissional nos conflitos familiares associados à separação ou ao divórcio.

A sua característica central não é uma determinada solução de residência da criança nem uma fórmula automática para decidir processos. O elemento distintivo é a cooperação interdisciplinar entre os diferentes profissionais e serviços que intervêm no conflito parental.

Magistrados, advogados, serviços sociais, psicólogos, mediadores, serviços de aconselhamento e outros profissionais procuram atuar de forma coordenada, reduzir a escalada adversarial do conflito e responsabilizar os progenitores pela construção de soluções compatíveis com as necessidades dos filhos e filhas.

Cartaz da conferência APIPDF sobre a Experiência do Tribunal de Cochem-Zell, realizada em Lisboa e Porto em abril de 2011
Cartaz original das conferências promovidas pela APIPDF em Lisboa e no Porto, em abril de 2011.

A iniciativa da APIPDF em Portugal

Em abril de 2011, a Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos promoveu duas conferências dedicadas à experiência de Cochem-Zell, uma em Lisboa e outra no Porto.

O objetivo anunciado foi dar a conhecer em Portugal uma prática de cooperação interdisciplinar na resolução de conflitos parentais, envolvendo profissionais das áreas da Justiça, Psicologia, Serviço Social e Mediação Familiar.

A iniciativa procurava também estimular a discussão sobre a organização da Justiça de Família e Menores em Portugal e sobre formas de reduzir a duração, a intensidade e os efeitos dos conflitos parentais sobre as crianças.

Jürgen Rudolph

O orador das duas conferências foi Jürgen Rudolph, apresentado no programa como juiz do Tribunal de Família de Cochem-Zell e como um dos principais impulsionadores da prática de Cochem.

A conferência foi proferida em alemão, com tradução simultânea.

Duas conferências: Lisboa e Porto

O cartaz e a documentação original permitem recuperar os dados das duas sessões realizadas pela APIPDF.

7 de abril de 2011 · 17h00

Lisboa

Instituto Superior de Gestão
Rua Vitorino Nemésio, 5
1700-306 Lisboa

Moderação
Helena Bolieiro, Juíza

8 de abril de 2011 · 15h00

Porto

Auditório do Estádio do Boavista
Rua 1.º de Janeiro · Estádio do Bessa Século XXI
Porto

Moderação
Paulo Guerra, Juiz

Elementos centrais da prática de Cochem

A documentação divulgada pela APIPDF em 2011 descreve um conjunto de elementos destinados a substituir uma lógica exclusivamente adversarial por uma atuação profissional coordenada.

1

Interdisciplinaridade

Cooperação entre magistrados, advogados, serviços sociais, psicólogos, mediadores e outros profissionais.

2

Intervenção precoce

Procura de resposta numa fase inicial do conflito, evitando a sua consolidação e escalada ao longo do processo.

3

Responsabilidade parental

Os progenitores são chamados a participar ativamente na construção de soluções para a organização da vida dos filhos.

4

Redução da lógica adversarial

A intervenção profissional procura evitar a reprodução de uma lógica de vencedor e vencido no conflito parental.

5

Mediação e aconselhamento

Sempre que adequado, são mobilizados mecanismos de mediação, aconselhamento familiar e apoio técnico.

6

Necessidades da criança

A coordenação entre profissionais é orientada para a proteção das necessidades e relações familiares significativas da criança.

Nota de rigor histórico: os números de sucesso frequentemente associados à experiência de Cochem — incluindo percentagens muito elevadas de soluções consensuais e de exercício conjunto das responsabilidades parentais — são apresentados na documentação divulgada na época. Nesta página são tratados como resultados reportados pelos autores e intervenientes no modelo, e não como uma avaliação experimental independente da sua eficácia.

Arquivo audiovisual da conferência

A APIPDF preservou o registo audiovisual da conferência em oito partes. Os vídeos disponíveis no canal oficial substituem os antigos players Flash e Veoh utilizados na versão original desta página.

Documentação e enquadramento

A página original disponibilizava também um texto do Juiz de Direito António José Fialho dedicado à cooperação coordenada e interdisciplinar na resolução dos conflitos parentais e à experiência de Cochem-Zell.

Cooperação Coordenada e Interdisciplinar na Resolução de Conflitos Parentais

António José Fialho · Juiz de Direito · Verbo Jurídico · 2011. Documento de 14 páginas sobre a génese, funcionamento e discussão da experiência de Cochem-Zell.

Enquadramento: esta é uma página de arquivo histórico e formação profissional. A descrição da prática de Cochem e dos seus resultados deve ser compreendida no contexto da documentação e do debate existentes em 2011. A sua apresentação não significa que o modelo corresponda ao atual regime jurídico português nem que qualquer dos seus mecanismos possa ser aplicado automaticamente a todos os conflitos familiares.

Perguntas frequentes

O Modelo de Cochem é uma lei?

Não. O chamado Modelo ou Prática de Cochem designa sobretudo uma forma de organização e cooperação interdisciplinar entre profissionais que intervêm nos conflitos parentais. Não corresponde, por si só, a uma lei ou a uma modalidade específica de residência da criança.

Que profissionais participam nesta abordagem?

A experiência documentada envolveu magistrados, advogados, serviços sociais, psicólogos, mediadores, serviços de aconselhamento familiar e outros técnicos relacionados com a resolução dos conflitos parentais.

Qual é a diferença relativamente ao processo adversarial tradicional?

A lógica de Cochem procura coordenar a atuação dos diferentes profissionais e reduzir a dinâmica de vencedor e vencido, procurando que os próprios progenitores assumam responsabilidade na construção de soluções relativas aos filhos.

Porque realizou a APIPDF estas conferências em 2011?

A documentação original refere como objetivo divulgar esta experiência interdisciplinar em Portugal e estimular a discussão sobre a resposta da Justiça aos conflitos parentais e sobre a articulação entre os diferentes profissionais envolvidos.