Artigo científico
Autores: Malin Bergström, Bitte Modin, Emma Fransson, Luis Rajmil, Marie Berlin, Per A. Gustafsson e Anders Hjern.
Referência: Bergström, M., Modin, B., Fransson, E., Rajmil, L., Berlin, M., Gustafsson, P. A., & Hjern, A. (2013). Living in two homes-a Swedish national survey of wellbeing in 12 and 15 year olds with joint physical custody. BMC Public Health, 13, 868.
O que foi estudado?
O estudo analisou a qualidade de vida relacionada com a saúde de crianças e adolescentes após a separação dos progenitores, comparando diferentes formas de organização residencial.
Os investigadores utilizaram dados de um inquérito nacional realizado em escolas suecas em 2009. A análise incluiu 164.580 crianças e adolescentes com 12 e 15 anos.
Foram comparados quatro grupos: crianças que viviam com ambos os progenitores numa família nuclear, crianças em residência alternada com tempo aproximadamente igual em casa de cada progenitor, crianças que viviam maioritariamente com um dos progenitores e crianças que viviam exclusivamente com um dos progenitores.
Como foi definido o regime de residência alternada?
Um aspeto metodológico importante deste estudo é a definição utilizada para joint physical custody. Os autores classificaram neste grupo as crianças que passavam aproximadamente o mesmo tempo a viver com a mãe e com o pai.
Esta definição permite distinguir a residência alternada de situações em que a criança mantém contacto regular com ambos os progenitores, mas possui residência predominantemente com apenas um deles.
Principais resultados
As crianças que viviam com ambos os progenitores numa família nuclear apresentaram, em geral, os níveis mais elevados de bem-estar.
Entre as crianças cujos progenitores estavam separados, contudo, verificou-se uma diferença consistente em função da organização residencial.
Resultado central: as crianças em residência alternada apresentaram níveis de bem-estar superiores aos das crianças que viviam maioritariamente ou exclusivamente com um dos progenitores.
As diferenças foram observadas particularmente no bem-estar subjetivo, na vida familiar e nas relações com os pares.
Entre os adolescentes de 15 anos, os níveis de bem-estar das crianças em residência alternada aproximavam-se, em várias dimensões, dos observados entre os adolescentes que viviam com ambos os progenitores na mesma casa.
Entre as crianças de 12 anos, a diferença relativamente às famílias nucleares era maior. Ainda assim, as crianças de 12 anos em residência alternada tendiam a apresentar resultados mais positivos do que aquelas que viviam maioritariamente ou exclusivamente com um dos progenitores.
O que o estudo permite concluir?
Os resultados mostram uma associação entre residência alternada e níveis mais elevados de bem-estar entre crianças com progenitores separados, quando comparadas com situações de residência predominantemente ou exclusivamente com um dos progenitores.
Isto não significa, contudo, que o estudo demonstre por si só que a residência alternada seja a causa direta desses melhores resultados.
A organização residencial das crianças não é atribuída aleatoriamente. As famílias que adotam diferentes regimes podem também diferir noutros fatores relevantes, como condições socioeconómicas, relações parentais, conflito anterior ou posterior à separação e características familiares que podem influenciar simultaneamente a escolha do regime residencial e o bem-estar das crianças.
Porque é este estudo relevante?
Uma das principais vantagens deste trabalho é a dimensão da amostra. A utilização de dados de quase 165 mil crianças permitiu aos autores analisar diferenças entre regimes de residência numa escala muito superior à de grande parte dos estudos anteriores sobre residência alternada.
O estudo é também relevante porque separa claramente a residência alternada, entendida como tempo de residência aproximadamente igual com ambos os progenitores, das situações em que a criança reside sobretudo ou exclusivamente com um deles.
Os resultados contribuíram para o desenvolvimento da investigação internacional sobre a relação entre residência pós-separação e bem-estar infantil, devendo ser interpretados em conjunto com a investigação posterior sobre esta matéria.
Referência bibliográfica
Bergström, M., Modin, B., Fransson, E., Rajmil, L., Berlin, M., Gustafsson, P. A., & Hjern, A. (2013). Living in two homes-a Swedish national survey of wellbeing in 12 and 15 year olds with joint physical custody. BMC Public Health, 13, 868. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-868
