Por ocasião das Eleições Legislativas de 18 de maio de 2025, a Associação
Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos (APIPDF) dirigiu
uma carta aberta aos partidos políticos, apresentando um conjunto de propostas
para as políticas públicas e para o enquadramento jurídico das matérias
relacionadas com crianças, parentalidade, conflitos parentais e justiça de família.
As propostas apresentadas nesse documento mantêm-se como prioridades
da APIPDF para a XVII Legislatura e integram uma intervenção cívica
continuada da Associação junto dos órgãos de soberania, dos partidos políticos
e da sociedade civil.
Uma agenda para a atual legislatura.
A eleição realizou-se em 18 de maio de 2025, mas as medidas propostas não se
esgotam no momento eleitoral: constituem propostas de reforma que a APIPDF
continua a considerar necessárias durante a XVII Legislatura.
01 · Propostas da APIPDF
As oito propostas apresentadas aos partidos políticos
O documento organiza a intervenção da APIPDF em oito áreas concretas.
Em conjunto, estas propostas procuram prevenir conflitos parentais,
reforçar a proteção das crianças e adaptar o sistema jurídico e institucional
às atuais realidades familiares.
1
Introdução da pré-mediação familiar
Criar e enquadrar a figura da pré-mediação como instrumento preventivo
dos conflitos parentais, permitindo informar e preparar pais e mães para
formas de resolução consensual e para uma coparentalidade mais funcional.
2
Supervisão técnica nas CPCJ
Reforçar a intervenção multidisciplinar nas Comissões de Proteção de
Crianças e Jovens através de uma figura de supervisão técnica para os
casos de maior complexidade, contribuindo para melhorar a qualidade das
respostas de promoção e proteção.
3
Proteção da criança nos conflitos parentais de alta intensidade
Rever o enquadramento jurídico do uso da criança no conflito parental,
incluindo situações descritas como alienação parental, de modo a reconhecer
e responder a comportamentos que instrumentalizam os filhos e filhas e
constituem formas de violência familiar.
4
Residência alternada como regime preferencial
Prosseguir a alteração legislativa no sentido de reconhecer a residência
alternada como regime preferencial após a separação ou divórcio, sem
afastar a avaliação das circunstâncias concretas e do superior interesse
da criança.
5
Direito ao convívio com a família alargada
Alterar o artigo 1887.º-A do Código Civil para reforçar a proteção dos
vínculos da criança não apenas com irmãos e ascendentes, mas também com
outros familiares e figuras significativas da sua rede afetiva.
6
Alargar o recrutamento dos juízes sociais
Alterar o critério territorial de recrutamento dos juízes sociais,
permitindo que a seleção tenha por referência a área de competência
dos juízos de família e crianças e não apenas o município da sede
do tribunal de comarca.
7
Eliminar a tributação da pensão de alimentos devida a menores
Eliminar a tributação autónoma aplicável às pensões de alimentos devidas
a crianças e jovens, considerando que os montantes fixados se destinam
à satisfação das suas necessidades e não devem ser reduzidos por via fiscal.
8
De “Família e Menores” para “Família e Crianças”
Alterar a designação dos atuais Juízos de Família e Menores para
Juízos de Família e Crianças, refletindo uma conceção
contemporânea da criança enquanto sujeito de direitos e não como
mero objeto de proteção jurídica.
Estas propostas mantêm-se na agenda da APIPDF.
A carta foi apresentada no contexto eleitoral de 2025, mas as reformas
propostas são dirigidas ao trabalho político e legislativo da XVII Legislatura.
02 · Eixos de intervenção
Uma reforma centrada nas crianças e nas famílias
Apesar de incidirem sobre matérias legislativas e institucionais diferentes,
as oito propostas partilham uma orientação comum: reduzir os efeitos dos
conflitos parentais sobre as crianças, promover uma parentalidade mais
equilibrada e tornar as respostas públicas mais céleres, previsíveis e adequadas.
Prevenção
Intervir antes de os conflitos se cristalizarem, reforçando mecanismos
de pré-mediação, diálogo e resolução precoce das divergências.
Direitos das crianças
Reconhecer a criança como sujeito de direitos, protegendo os seus vínculos
familiares, a continuidade dos cuidados e a segurança nas relações familiares.
Modernização institucional
Melhorar a organização e as respostas da justiça de família, das CPCJ e
de outras estruturas que intervêm nas situações de separação e conflito parental.