Que consequência tem na mãe a corresponsabilidade do pai nos cuidados aos filhos/as?

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Que consequência tem na mãe a corresponsabilidade do pai nos cuidados aos filhos/as?

José Manuel Aguilar

Psicólogo

 
Que consequência tem na mãe a corresponsabilidade do pai nos cuidados aos filhos/as?” by José Manuel Aguilar is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Partilha nos termos da mesma licença 4.0 Internacional License.
Based on a work at http://jmaguilar.com/blog/wordpress/que-consecuencias-tiene-en-la-madre-la-corresponsabilidad-del-padre-en-la-crianza-de-los-hijos/.

Tradução do castelhano para o português: Liliana Carvalho
Revisão/adaptação no idioma português: Ricardo Simões

Coordenação da tradução e publicação: Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos

 

O discurso que domina a custódia partilhada[1] limita-se às consequências benéficas que esta modalidade de custódia tem sobre as crianças. Porém, o seu alcance vai mais longe afectando, como não podia deixar de ser, todo o sistema em que se inscreve a decisão, ou seja, todos os membros da família. Como consequência, podemos falar de efeitos directos (os que já conhecemos através dos artigos que se podem encontrar na internet) e de efeitos indirectos no desenvolvimento infantil.

A primeira consequência indireta em que a corresponsabilidade parental afeta os filhos é que quanto mais apoio oferecem os pais no cuidado, mais competentes se mostram as mães. Desta forma, podemos afirmar que as mães daquelas famílias em que o pai mostra uma participação alta nos cuidados têm uma perspetiva mais positiva da conduta dos seus filhos, em comparação com aquelas famílias em que a participação do pai é baixa (Culp et al, 2000).

Este apoio do pai estende a sua influência em diversas áreas do comportamento e da saúde da mãe. Podemos afirmar que a maior participação do pai na criação dos seus filhos faz com que as mães sejam mais pacientes, se mostrem mais flexíveis, emocionalmente sensíveis e dispostas para os seus filhos/as (Belsky, 1981; Cowan y Cowan, 1987; Feiring y Lewis, 1978; Parke y Anderson, 1987; Snarey, 1993).

As mães que partilham a custódia mostram-se mais sensíveis, dispostas e pacientes com os seus filhos/as

Como é possível compreender, isto faz com que a qualidade da relação da mãe com o filho/a aumente e, como consequência natural, favorece o desenvolvimento deste. O melhor desenvolvimento foi verificado em áreas fundamentais para a conduta do menor como o aumento do autocontrole e a competência académica (Brody et al., 1994) ou as relações sociais com os seus pares (Amato, 1998).

Um maior envolvimento afetivo dos pais parece estar relacionada com o apoio que as mães lhes dão, produzindo um efeito que podíamos descrever de retroalimentação. O apoio das mães aos pais melhora a qualidade dos cuidados levados a cabo por estes (Amato, 1998; Conger y Elder, 1994), que por sua vez têm resultados positivos no desenvolvimento infantil.

O efeito contrário também se verificou, sustentando ainda mais a ideia da mútua influência e inter-relação. Por exemplo, a investigação documenta sistematicamente uma associação negativa entre os resultados da discórdia do casal com o sucesso académico, o comportamento, a adaptação emocional, a auto-estima e as relações sociais das crianças (Amato, 1998; Cummings e O’Reilly, 1997; Davies e Cummins, 1994; Emery, 1988; Grych e Fincham, 1990; Kandel, 1990).

 

Referências bibliográficas:

Amato, P. R. (1998). More than money? Men’s contributions to their children’s lives. In A. Booth & A. Crouter (Eds.), Men in families: When do they get involved? What difference does it make? (pp. 241-178). Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, Publishers.

Belsky, J. (1981). Early human experience: A family perspective. Developmental Psychology, 17, 3-17.

Brody, G., Stoneman, Z., Flor, D., McCrary, C., Hastings, L., & Conyers, O. (1994). Financial resources, parental psychological functioning, parent co-caregiving, and early adolescent competence in rural two parent African-American families. Child Development, 65, 590-605.

Conger, R. D., & Elder, G. H., Jr. (1994). Families in troubled times. New York: Aldine de Gruyter.

Cowan, C. P., & Cowan, P. A. (1987). Men’s involvement in parenthood: Identifying the antecedents and understanding the barriers. In P. Bernman & F. Pedersen (Eds.), Men’s transitions to parenthood (pp.145-174). Hillsdale, NJ: Erlbaum.

Cummings, E. M., & O’Reilly, A. W. (1997). Fathers in family context: Effects of marital quality on child adjustment. In M. E. Lamb (Ed.), The role of the father in child development (3rd ed., pp. 49-65). New York: Wiley.

Culp, R. E., Schadle, S., Robinson, L., & Culp, A. M. (2000). Relationships among paternal

involvement and young children’s perceived self-competence and behavioral problems.

Journal of Child and Family Studies, 9 (1), 27-38.

Emery, R. E. (1988). Marriage, divorce, and children’s adjustment. Newbury Park, CA: Sage.

Feiring, C., & Lewis, M. (1978). The child as a member of the family system. Behavioral Science, 23, 225-233.

Grych, J. H., & Fincham, F. D. (1990). Marital conflict and children’s adjustment: A cognitive- conceptual framework, Psychological Bulletin, 108, 267-290.

Kandel, D. B. (1990). Parenting styles, drug use, and children’s adjustment in families of young adults. Journal of Marriage and the Family, 52, 183-196.

Parke, R. D., & Anderson E. R. (1987). Fathers and their at risk infants: conceptual and empirical analyses. In P. W. Berman & F. A. Pedersen (Eds.), Men’s Transition to parenthood: Longitudinal studies of early family experience (pp.197-216). Hillsdale, NJ: Erlbaum.

Snarey, J. (1993). How fathers care for the next generation: A four-decade study. Cambridge, MA: Harvard University Press

 

[1] Nota do revisor: optamos por manter a tradução literal de custodia compartida, no entanto o equivalente ao ordenamento jurídico português será o de residência alternada ou guarda partilhada ou conjunta (consoante os autores).

 

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A ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA PELA IGUALDADE PARENTAL E DIREITOS DOS FILHOS tem por fim as actividades de carácter cívico, cultural, formativo e informativo, no âmbito da protecção e fomento da igualdade parental, nos seus diferentes níveis de intervenção – legislativo, jurídico, psicológico, mobilização da opinião pública, entre outros -, relativamente aos direitos dos filhos (crianças e adolescentes) cujos pais se encontrem separados ou divorciados.